segunda-feira, 21 de outubro de 2019

A oração - Parte I


- Pater noster, qui es in cælis: sanctificétur nomen tuum; advéniat regnum tuum; fiat volúntas tua sicut in cælo, et in terra. Panem nostrum cotidiánum da nobis hódie;
et dimítte nobis débita nostra, sicut et nos dimíttimus debitóribus nostris; et ne nos indúcas in tentatiónem; sed líbera nos a malo. Amem
Nada...

Apertou ainda mais a cinta de cilício, sentiu o sangue escorrer pela coxa esquerda e pingar no chão. Segurou o urro de dor.


- Pater noster, qui es in cælis: sanctificétur nomen tuum; advéniat regnum tuum; fiat volúntas tua sicut in cælo, et in terra...

Sentiu a mão no seu ombro: Estou aqui, ele disse.


Sem coragem de olhar para trás, sorriu de alívio:
- Por que me abandonastes?
Nunca te abandonei, Dante. Estou contigo o tempo todo, desde antes de você nascer e estarei contigo até que entendas que não sou mais necessário...

- Estou perdido. Não sei se fiz o certo ao refugiar-me aqui. Só há descrentes, só há mundanos!
Meu amado Dante, não deixes que tua luz afaste as mariposas que te procuram. A sua luz deve ser farol, para guiar e não chama de fogo, para matar. Já te disse que Jesus se cercava de prostitutas, leprosos e pobres, não dos reis e sacerdotes. Teu orgulho te corrompe!

Por cima do ombro ele passou a chibata para Dante, que a segurou tremendo.
- Quantas, senhor?
7, Dante! O número da alma com cabelos de anjo que vai te achar!

Nenhum comentário:

Postar um comentário